Brasil

Gabinete do ódio tenta atacar Caiado, mas perde força nas redes

Grupo de bolsonaristas que imita estratégia da militância de Dilma perde força com aumento de pedidos de impeachment de presidente

diario da manha

Batizado de “Gabinete do Ódio” na imprensa e redes sociais, o bunker bolsonarista que distribui críticas e mensagens agressivas na internet perdeu força e não conseguiu atacar o governador Ronaldo Caiado (DEM) nas redes sociais.
O grupo se difere da estrutura montada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2015 para tentar reverter os pedidos de impeachment que sofreu: os bolsonaristas atacam de forma agressiva e por vezes “chula”, demonstrando um instinto agressivo. A turma de Dilma, como o perfil “Dilma bolada” e páginas em defesa de Lula, maioria remunerada com recursos públicos, buscava ser mais amigável para tentar conquistar apoiadores nas redes. O grupo bolsonarista, ao contrário, não reverte apoios, apenas fustiga adversários com ameaças.
É o primeiro sinal claro que o grupo perdeu força nas redes, que funcionam de forma espontânea e também patrocinadas.
Existe ainda hoje um debate se as redes foram fundamentais para a vitória de Bolsonaro nas eleições de 2018 ou se a figura de ‘outsider’ (não político) do presidente é que determinou seu sucesso nas urnas.
Pela primeira vez ocorre o recrudescimento do presidente nas redes em consonância com sua queda de popularidade entre antigos apoiadores, conforme as últimas pesquisas. O grupo não tem mais agido, por exemplo, em ataques individualizados, mas concentrado a ação nos perfis de desafetos.
Conhecido por arquitetar as redes do presidente, um dos filhos de Bolsonaro, vereador Carlos Bolsonaro, do Rio de Janeiro, teria perdido força no segmento, segundo os bastidores de Brasília, principalmente com a retirada de grupos organizados do Exército e também de apoiadores partidários.
O sangramento das hordas de robôs e apoiadores, dizem analistas de internet e redes sociais, como o especialista em marketing digital Ulisses Aesse, começou quando Bolsonaro teria iniciado um processo de confronto com o ministro Sérgio Moro, ameaçado de ver seu ministério dividido em dois.
Mas a queda ficou evidente mesmo no confronto com Caiado: as postagens de ataques caíram em média 45%. De 5,6 mil comentários realizados na última publicação de Caiado, apenas 150 eram do gabinete de ódio – o restante de apoio, ponderações verdadeiras e críticas pontuais.
Ano caso da postagem de Caiado na quinta-feira, identificação dos bolsonaristas é fácil: perfis fora de Goiás e até do Brasil, com frases de efeito, agressões e discursos montados, além de frequência em conjunto – o bunker é acionado e age em uma chuva de comentários, depois desaparece. Ou seja, existe uma articulação temporal.
As deficiências do gabinete ficaram claras quando um grupo tentou “sujar” a timeline do governador goiano, que rompeu com Jair Bolsonaro na quarta-feira, 25, após tomar conhecimento do conteúdo do pronunciamento de Bolsonaro nas emissoras de tevê.
A repercussão de Caiado, que já era grande nas redes aumentou, conforme atestam institutos como o Quaest, que realiza levantamentos nas redes sociais.

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