Anápolis

Retirado segredo de justiça do processo de Isabela Freire. Novas perícias e exames foram realizados

Documentos juntados aos autos podem revelar novas provas no caso. Exame de DNA foi realizado para determinar paternidade da criança. Inquérito já foi concluído e o MP já ofertou denúncia

diario da manha

A justiça retirou nesta segunda (21), o segredo de justiça do processo da estudante Isabella Freire, que confessou ter ateado fogo no corpo do filho recém-nascido. O caso ocorreu em Anápolis no dia 13 de maio deste ano.

Na decisão, a juíza Nina de Sá Araújo, da 1º Vara Criminal considerou que, como o inquérito policial já foi juntado aos autos e o Ministério Público ofertou a denúncia, não havia mais razão para manter o segredo de justiça.

Novas informações referentes às perícias feitas foram juntadas aos autos do processo. Novos eventos, como o resultado do exame de DNA para determinar a paternidade da criança, também foram anexados. O exame foi feito para atestar se o engenheiro mecânico Matheus Oliveira, de 22 anos, que tinha um relacionamento com Isabella há dois ano, é realmente pai do bebê.

Isabella relatou, na época do depoimento, que o rapaz não tinha conhecimento nenhum do crime, detalhe que, segundo a polícia, contraditou o depoimento de Mateus.

— O rapaz nos disse que Isabella tinha mentido ao contar que, nos primeiros meses de gravidez, tinha realizado o aborto. Ou seja, ele tinha conhecimento do bebê e concordou com a interrupção da gravidez, o que é crime no Brasil. Resta-nos saber, agora, em até que ponto ele a apoiou para realizar o aborto — explicou o delegado Wlisses Valentin, responsável pelas investigações.

Indiciamento
A Polícia Civil de Goiás indiciou Isabella no mês passado por por homicídio duplamente qualificado. O laudo cadavérico apontou que a criança foi morta por asfixia, provavelmente provocada pelo fato de a mãe, segundo a polícia, “tê-la envolvido com um cobertor e a colocado no interior da caixa de papelão” antes de abandonar o bebê e atear fogo no corpo.

MACHISMO NO AUTOMOBILISMO

Isabella foi indiciada por homicídio duplamente qualificado e foi enquadrada no crime por causa da asfixia e pela impossibilidade de defesa da vítima. A estudante foi indiciada também por ocultação de cadáver.

No indiciamento foi descartado o infanticídio porque a jovem não estava sob influência de estado puerperal e já teria tentado matar o bebê outras duas vezes, durante a gestação, através de remédios abortivos, segundo a confissão dela.

Com a prisão preventiva decretada, Isabela foi transferida para um presídio na cidade de Aparecida de Goiânia.

Relembre o caso
Isabella Freire foi presa no último dia 13 de maio, suspeita de atear fogo no corpo do filho recém-nascido e abandoná-lo em um terreno baldio em Anápolis. O bebê foi encontrado por pessoas que passavam pelo local na manhã de quarta-feira (12/5). Quando os agentes chegaram à cena, perceberam que parte do corpo do recém-nascido tinha sido preservada, inclusive o braço em que se encontrava a pulseirinha do hospital com parte do nome da mãe escrito.

A partir desse dado, e com a ajuda de imagens resgatadas de câmeras de vigilância da região, a polícia chegou à autora do crime. Ela foi interrogada e confessou ter ateado fogo no próprio filho. De acordo com a mulher, nem a família dela nem o pai da criança sabiam da gravidez. Ela também relata ter amamentado o bebê apenas no primeiro dia de vida e diz que não sabe se ele estava vivo ou morto quando foi queimado.

Segundo informações divulgadas pela Polícia, o depoimento da mulher confirma o que foi visto nas câmeras. Ela chegou ao lote vago com a criança em uma caixa de papelão branca e, um tempo depois, voltou ao carro para buscar um vidro de álcool e isqueiro, com os quais provocou o incêndio.

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